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“Na moda, continua-se a notar uma verdadeira exclusão do talento que tem emergido todos os dias”

Antonia GoncaloPor Antonia Goncalo
29 de Outubro, 2026
em Moda
“Na moda, continua-se a notar uma verdadeira exclusão do talento que tem emergido todos os dias”
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O estilista angolano Rui Lopes, que tem contribuído para o desenvolvimento da moda no país há 25 anos, defende maior inclusão dos fazedores de moda nacional, tanto em eventos nacionais como internacionais

Antónia Gonçalo

Rui Lopes, que possui uma carreira internacional que abrange a produção de várias colecções e desfiles, disse que tem notado os mesmos actores a participarem nos eventos de vulto da moda no país e além-fronteiras, enquanto outros, que, ao seu ver, mereciam também essa oportunidade, não têm tido o mesmo ensejo.

“Continuamos a ver os mesmos actores a participarem nos eventos de vulto da moda em Angola ou no exterior. Quem são os que continuam a ir às expos, no exterior? Quem são os que continuam a participar nas efemérides nacionais, no exterior? São sempre os mesmos estilistas e nós sabemos que não são os melhores que o Ministério da Cultura tem estado a usar”, lamentou.

Lembra de projectos realizados e apreciados por vários empresários que acompanham o movimento artístico da moda nacional, que eram aplaudidos por serem eventos inclusivos. Entre estes, fala do projecto Rui Lopes e Amigos, que considera ter sido um dos maiores eventos de moda inclusiva no país, por envolver pessoas de todas as raças, de todas as facetas e de todos os estratos sociais do país.

No referido evento, houve visibilidade para pessoas com albinismo, pessoas com deficiência física, entre outras. Iniciativa esta que deixou de vingar por falta de apoios.

“Já estava a ser o maior projecto de moda em Angola, todos nós fazíamos cinco, seis eventos… Os modelos estavam a ter trabalho, estavam a ter visibilidade… Mas ficou tudo cortado porque o Ministério continua a apoiar aqueles que já têm visibilidade, e os novos talentos continuam a ficar para trás”, contou.

O profissional conta que tem lutado contra a exclusão e garante que vai continuar a lutar pelos seus direitos, uma vez que no município do Sambizanga, assim como noutros, há muitos bons estilistas, mas não têm tido a oportunidade de participar em grandes eventos da moda.

“Nós sabemos que, com essa exclusão, querem dar favoritismo a alguns estilistas que não gostam da concorrência e nós sabemos quem eles são. Continuam a bloquear os estilistas bons, para não participarem nos grandes eventos da moda”, asseverou.

O estilista lembrou ainda o Angola Fashion Week, evento de moda que, conforme disse, exigia um milhão de kwanzas por profissional para poder participar, o que considerou uma prática de exclusão.

“Os que podem participar são os parentes, os filhos daqueles que têm poder financeiro em Angola e nós temos que lutar contra isso. Temos que dar mais oportunidades aos criadores de moda em Angola, não só modelos, mas também estilistas”, defendeu.

Desafios e promessas não cumpridas

Há 25 anos dedicado a este trabalho, lembra que é um top designer da moda angolana, embaixador da primeira maravilha da Colômbia, título que lhe foi dado em cerimónia oficial neste país, em 2017. Lembra ainda ser cavaleiro da Ordem da Coroa da Bélgica, ter recebido um prémio da África do Sul e que, pela sua experiência, devia ser tido em conta.

Sob sugestões e repúdios, observa que, no ano passado, o Ministério da Cultura perdeu uma grande oportunidade de reunir os estilistas para fazer um grande evento de moda, nos 50 anos da independência nacional.

“Olha, eu pessoalmente já não espero muito do nosso Ministério da Cultura. Sei que o ministro tem estado a trabalhar muito na recuperação de algumas salas de eventos, salas de espectáculos, dou nota 10, mas, na moda, continua-se a notar uma verdadeira exclusão do talento que tem emergido todos os dias”, observou.

Ressaltou que “se quer proteger a imagem de alguns estilistas como se fossem os melhores criadores da moda em Angola e não são. Os melhores criadores de moda em Angola estão a ser excluídos, não têm participado nos grandes eventos”.

Indignado com as dificuldades vividas pelos fazedores de moda, apela ao Ministério da Cultura para que lhe pague o dinheiro da sua participação no Fenacult 2012.

“Até hoje não pagaram aos estilistas que participaram. O Ministério já mudou de três ou quatro ministros, espero que também prestem atenção a isso”, alertou.

Rui Lopes é uma das principais referências da moda em Angola. Com uma carreira que se estende por mais de 20 anos, é um dos principais pioneiros do uso de padrões de orientação africana e, na qualidade de «veterano», tem influenciado gerações de criadores que vêem na sua marca um símbolo de persistência e inovação.

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